Empresas que ignoram o solo também estão ignorando riscos gigantes

Empresas que ignoram o solo também estão ignorando riscos gigantes

Durante muito tempo, o solo foi tratado pelas empresas como algo estático. Um suporte físico. Um “chão” onde fábricas são construídas, operações acontecem e projetos se desenvolvem.

Mas essa visão é ultrapassada e também perigosa.

Ignorar o solo hoje significa ignorar riscos ambientais, financeiros, jurídicos e reputacionais que podem comprometer seriamente a continuidade de um negócio.

E, ao contrário do que muitos ainda pensam, esses riscos não são raros. Eles são silenciosos, acumulativos e, muitas vezes, invisíveis até que seja tarde demais.

O solo não é passivo, ele registra tudo

Diferente do que parece, o solo não “absorve e resolve”. Ele registra.

Contaminações por resíduos, vazamentos, descarte inadequado ou até práticas operacionais mal controladas permanecem ali, muitas vezes por décadas. Metais pesados, hidrocarbonetos e outros poluentes não desaparecem — eles se acumulam, migram e podem atingir águas subterrâneas, ecossistemas e até áreas vizinhas.

O problema? Quando esses passivos aparecem, eles já não são mais apenas ambientais.

Eles se tornam problemas de negócio.

 

O risco invisível que impacta o caixa

Empresas que negligenciam a gestão do solo frequentemente enfrentam custos inesperados  e altos.

Entre eles:

  • investigações ambientais obrigatórias
  • remediação de áreas contaminadas
  • paralisação de operações
  • perda de valor do ativo imobiliário
  • dificuldade em processos de venda, fusão ou aquisição

Em muitos casos, o passivo ambiental é descoberto apenas em momentos críticos, como auditorias, licenciamento ou due diligence. E aí, o custo deixa de ser preventivo e passa a ser emergencial — e muito mais caro.

Risco jurídico: responsabilidade que não prescreve

No Brasil, a responsabilidade ambiental é objetiva. Isso significa que não importa se a empresa causou diretamente o dano ou não — ela pode ser responsabilizada pela área.

Além disso, o passivo ambiental do solo pode atravessar gestões, mudanças de propriedade e décadas de operação.

Ou seja: comprar um terreno sem avaliação adequada pode significar herdar um problema que você não criou, mas terá que resolver.

E isso inclui:

  • multas e sanções administrativas
  • ações civis públicas
  • exigências de recuperação ambiental
  • restrições operacionais

Reputação: o risco que ninguém calcula (até acontecer)

Hoje, não basta cumprir a legislação. O mercado, investidores e a sociedade estão mais atentos e mais exigentes.

Casos de contaminação do solo rapidamente se tornam crises reputacionais, afetando:

  • imagem da marca
  • relação com stakeholders
  • confiança de investidores
  • valor de mercado

Empresas que negligenciam esse tema passam a ser vistas como irresponsáveis, mesmo que o problema tenha origem antiga.

 

ESG na prática: o solo está no centro da discussão

Quando falamos de ESG, o solo aparece de forma transversal:

  • no E (ambiental), como base da gestão de impactos
  • no S (social), pelos impactos em comunidades e saúde pública
  • no G (governança), pela necessidade de controle, transparência e gestão de riscos

Ignorar o solo é, na prática, falhar nos três pilares.

E isso tem consequências diretas na maturidade ESG da empresa.

O erro mais comum: agir só quando o problema aparece

Grande parte das empresas ainda atua de forma reativa.

Investiga o solo apenas quando há exigência legal, suspeita de contaminação ou pressão externa. Esse é o caminho mais caro — e mais arriscado.

A abordagem estratégica é outra: antecipar, conhecer e gerenciar.

Isso inclui:

  • avaliação ambiental de áreas (especialmente antes de aquisições)
  • monitoramento contínuo
  • gestão adequada de resíduos e substâncias perigosas
  • rastreabilidade de operações
  • integração com a estratégia ESG

Solo também é ativo (e pode gerar valor)

Existe um ponto pouco explorado: o solo não é apenas fonte de risco. Ele também pode ser um ativo estratégico.

Empresas que conhecem bem suas áreas conseguem:

  • reduzir incertezas em decisões estratégicas
  • acelerar processos de licenciamento
  • aumentar valor de ativos imobiliários
  • fortalecer sua governança ambiental
  • melhorar posicionamento em ESG

Na prática, isso significa sair da lógica de “evitar problema” e entrar na lógica de gerar valor com gestão ambiental.

 

O solo pode parecer invisível na rotina corporativa, mas os riscos associados a ele estão longe de ser.

Empresas que ignoram essa dimensão estão, na prática, operando com uma variável crítica fora do radar. E isso, em um cenário de crescente exigência regulatória e pressão por ESG, não é mais sustentável.

A diferença entre risco e oportunidade está na forma como o tema é tratado: como custo inevitável ou como parte da estratégia.

Nesse contexto, incorporar a gestão do solo à estratégia ESG,  incluindo ações estruturadas de prevenção, monitoramento e até compensação de GEE se torna uma obrigação técnica e passa a ser uma decisão inteligente de negócio.

Quer saber mais sobre e como podemos te ajudar? Entre em contato consoco!

 

Referências 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10004: Resíduos sólidos – Classificação. Rio de Janeiro.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 14001: Sistemas de gestão ambiental. Rio de Janeiro.

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). Resolução nº 420/2009 – Critérios e valores orientadores de qualidade do solo.

BRASIL. Lei nº 6.938/1981 – Política Nacional do Meio Ambiente.

CETESB. Manual de gerenciamento de áreas contaminadas. São Paulo.

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